Os últimos dias têm sido marcados por volumes expressivos de chuva em praticamente todos os núcleos regionais de Mato Grosso, cenário que trouxe impactos diretos sobre o andamento da safra e a rotina operacional no campo. Segundo avaliação técnica divulgada pela Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), o excesso de umidade dificultou a colheita da soja, provocou atrasos em aplicações de defensivos, adubações e tratos culturais, além de exigir replantio em bordaduras e áreas com encharcamento.
No caso do algodão, o plantio está praticamente finalizado na maior parte das regiões produtoras, com índices entre 95% e 100% das áreas implantadas. De forma geral, as lavouras apresentam bom estande e desenvolvimento inicial satisfatório, porém o ambiente úmido favoreceu a intensificação da chamada “mela”, doença causada pelo fungo Rhizoctonia solani, que tem avançado em áreas com solo encharcado. Esse cenário já gera perdas localizadas e aumento no custo de produção, principalmente em áreas que demandaram replantio ou manejo extra.
No manejo fitossanitário, o monitoramento segue intensificado nas propriedades. Há presença recorrente de pragas como bicudo-do-algodoeiro, mosca-branca, lagartas do gênero Spodoptera, além de tripes e pulgões, exigindo atenção constante das equipes técnicas para evitar crescimento populacional. Apesar das dificuldades climáticas, o controle segue dentro da normalidade, com adoção de manejo integrado e reforço de práticas culturais, como eliminação de tigueras e uso de armadilhas.
De forma geral, a avaliação do setor aponta que a safra segue dentro do esperado, mas sob forte atenção técnica. O excesso de chuvas, somado aos atrasos operacionais e ao maior risco fitossanitário nas áreas recém-estabelecidas, exige acompanhamento constante para evitar perdas mais expressivas ao longo do ciclo produtivo.
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