Chuvas extremas e custos altos trazem prejuízo na reta final da soja em Mato Grosso

O encerramento da colheita de soja no sudeste de Mato Grosso revela um cenário de crise profunda para os agricultores. Em Planalto da Serra, a combinação de chuvas torrenciais, estradas destruídas e a disparada no preço do diesel transformou o fim do ciclo 2025/26 em uma corrida desesperada para salvar o que resta da produção.

O produtor Jorge Diego Giacomelli exemplifica o drama: para conseguir colher em solos encharcados, precisou investir cerca de R$ 500 mil na adaptação de máquinas específicas para áreas de arroz. “Mais uma dívida. No desespero, você nem faz conta”, relata o agricultor, que enfrentou mais de 850 milímetros de chuva entre janeiro e março.

Qualidade em queda: O excesso de umidade no solo e o atraso na entrada das máquinas resultaram em grãos avariados. Em algumas áreas, o índice de perda de qualidade chega a 50%, derrubando o valor de venda no mercado.

A conta que não fecha: Produtividade vs. Custo

Os números apresentados pelo produtor mostram que a safra atual deve terminar “no vermelho” para muitos produtores da região:

Indicador Dados da Safra 25/26
Custo de Produção 61 sacas por hectare
Produtividade Real Pouco acima de 50 sacas por hectare
Prejuízo Estimado Cerca de 11 sacas por hectare

Logística precária e Diesel nas alturas

Fora da porteira, o escoamento da safra enfrenta o “fiasco” da MT-140. O trajeto de 160 km, que deveria ser rápido, leva mais de cinco horas devido à buraqueira e falta de sinalização. Além disso, o custo operacional disparou com o preço do óleo diesel.

  • Aumento do Diesel: Saltou de R$ 6,15 para R$ 8,08 (alta de mais de 30%).
  • Racionamento: Produtores relatam incerteza no abastecimento, o que trava o ritmo das colheitadeiras.

O sentimento de frustração domina o campo. Com o solo encharcado e a rentabilidade negativa, o setor produtivo mato-grossense agora volta as atenções para as renegociações de dívidas e o planejamento da próxima temporada, tentando superar o que muitos já chamam de “um ano para esquecer”.

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