Algodão rompe estabilidade e dispara acima de R$ 3,60 com pressão externa e custo logístico

Alta do diesel, entressafra e mercado internacional aquecido tiram pluma da “zona de conforto” e movimentam negociações no Brasil. Mercado sai da estabilidade e reage

Após meses operando em um intervalo estreito, os preços do algodão em pluma voltaram a ganhar força no mercado brasileiro e já superam os R$ 3,60 por libra-peso. Desde outubro de 2025, a commodity vinha sendo negociada entre R$ 3,40/lp e R$ 3,50/lp, em um cenário de relativa estabilidade que agora foi rompido.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o movimento de alta reflete uma combinação de fatores internos e externos que vêm sustentando o avanço das cotações.

Pressão externa e entressafra impulsionam preços

Entre os principais motores da valorização estão as recentes altas no mercado internacional da pluma, que têm influenciado diretamente os preços domésticos. Além disso, o período de entressafra no Brasil reduz a oferta disponível, aumentando a disputa pelo produto.

Outro fator determinante é o aumento dos custos logísticos, especialmente com a alta do diesel, que eleva despesas de transporte e contribui para manter os vendedores firmes nos preços pedidos.

Compradores divididos diante da alta

Do lado da demanda, o cenário é misto. Parte dos compradores já demonstra disposição para pagar valores mais altos na aquisição de novos lotes no mercado spot, acompanhando o ritmo de valorização.

Por outro lado, há agentes que seguem mais cautelosos, priorizando o cumprimento de contratos a termo e monitorando o desempenho das vendas de produtos manufaturados, o que pode limitar uma escalada mais intensa dos preços.

Tendência segue atrelada ao cenário global

O comportamento do algodão nos próximos dias deve continuar sensível às oscilações do mercado externo, aos custos logísticos e à dinâmica da oferta interna durante a entressafra.

A combinação desses fatores mantém o mercado atento e pode sustentar o atual patamar de preços, ou até mesmo abrir espaço para novas valorizações no curto prazo.

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