Açúcar cai em São Paulo, mas tensão no Oriente Médio pode virar o jogo

Queda no mercado interno contrasta com pressão internacional, influenciada pelo petróleo e riscos logísticos. Mercado paulista registra recuo nos preços

O Indicador do açúcar cristal branco (Icumsa 130-180), calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, seguiu em queda no mercado spot do estado de São Paulo na última semana.

Após iniciar o período com leve alta, os preços passaram a recuar nos dias seguintes, refletindo ajustes no mercado físico e menor volume de negociações, cenário que indica cautela entre compradores e vendedores.

Conflito internacional pressiona mercado externo

Enquanto o mercado interno mostra enfraquecimento, o cenário externo aponta na direção oposta. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o conflito no Oriente Médio já impacta as cotações do açúcar demerara negociado na ICE Futures, em Nova York.

A escalada das tensões elevou o preço do petróleo, que saltou de cerca de US$ 72 para US$ 103 por barril, fator que historicamente influencia o mercado de commodities, incluindo o açúcar.

Risco logístico pode afetar exportações brasileiras

Outro ponto de atenção é o impacto logístico. Caso o conflito se prolongue, especialistas alertam para possíveis dificuldades no escoamento do açúcar brasileiro.

Entre os principais desafios estão rotas mais longas, aumento no custo de frete e elevação dos seguros, fatores que podem comprometer a competitividade do produto no mercado internacional.

O Oriente Médio é um destino estratégico para o açúcar brasileiro. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que países da região — como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Israel — receberam mais de 5 milhões de toneladas em 2025, o equivalente a 15% das exportações nacionais.

Produto pode ficar retido nos armazéns

Diante desse cenário, parte do açúcar brasileiro pode acabar permanecendo armazenada nas regiões produtoras, à espera de condições mais seguras para embarque.

O movimento reforça um cenário de incerteza: enquanto o mercado interno sente a retração nas negociações, o mercado externo pode ganhar sustentação — ou enfrentar novos entraves — dependendo da evolução do conflito internacional.

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