STF inicia julgamento sobre o caso Marielle com análise de acusados

Primeira Turma do Supremo analisa a responsabilidade de cinco réus pelo assassinato da vereadora e de seu motorista. Julgamento será retomado com os votos dos ministros.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o primeiro dia de julgamento dos cinco acusados de participação no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime ocorrido em 2018, no Rio de Janeiro.

A sessão foi dedicada à apresentação da acusação pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e às sustentações orais das defesas. O julgamento será retomado nesta quarta-feira, às 9h, quando os ministros iniciarão a votação pela condenação ou absolvição dos réus.

Respondem ao processo o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos Brazão. Todos estão presos preventivamente.

Segundo a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, autor confesso dos disparos, os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa teriam sido os mandantes do crime. As investigações apontam que Barbosa participou do planejamento da execução, enquanto Ronald Alves teria monitorado a rotina da vereadora. Já Robson Calixto é acusado de fornecer a arma utilizada.

De acordo com a Polícia Federal, o assassinato estaria ligado ao posicionamento político de Marielle contrário a interesses de grupos com atuação em questões fundiárias em áreas dominadas por milícias na capital fluminense.

Defesas contestam acusações

Durante as sustentações, os advogados negaram a participação dos clientes. A defesa de Rivaldo Barbosa afirmou que não há provas de interferência ou vantagem indevida. Representantes dos irmãos Brazão questionaram a credibilidade da delação de Ronnie Lessa e alegaram falta de comprovação material.

Os advogados de Ronald Alves sustentaram que ele não tinha qualquer vínculo com o delator. Já a defesa de Domingos Brazão classificou a acusação como infundada e afirmou que não há evidências de interesses econômicos relacionados ao caso. O representante de Robson Calixto argumentou que sua função como assessor não comprova envolvimento em organização criminosa.

Acusação aponta provas robustas

Pela manhã, a PGR defendeu a condenação dos cinco acusados, afirmando que há elementos consistentes que demonstram a participação de cada um no crime.

Familiares de Marielle Franco e Anderson Gomes acompanharam a sessão e pediram justiça, além da continuidade das investigações.

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