A política em Brasília ferve neste início de semana. Para os leitores do CenárioMT que acompanham os bastidores do poder, o nome da vez é o Banco Master. Apesar da resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em instalar uma CPI própria para o caso, um grupo de senadores articulou uma manobra regimental para investigar o escândalo através de comissões que já estão em pleno funcionamento.
O objetivo é claro: apurar denúncias de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e o uso de instituições para “infiltrar” o crime organizado no poder público. O dono do banco, Daniel Vorcaro, era esperado para depor nesta segunda (23) e terça (24), mas conseguiu uma vitória no STF para não comparecer.
As Três Frentes de Investigação
Sem a “CPI do Master”, os senadores dividiram o trabalho em três frentes complementares para garantir que o caso não seja enterrado:
- CAE (Comissão de Assuntos Econômicos): Presidida por Renan Calheiros (MDB-AL), foca nas fraturas do Sistema Financeiro Nacional e possíveis brechas na legislação que favoreceram o banco.
- CPI Mista do INSS: Comandada por Carlos Viana (Podemos-MG), investiga fraudes em empréstimos consignados que teriam afetado cerca de 250 mil aposentados.
- CPI do Crime Organizado: Liderada por Fabiano Contarato (PT-ES), mira a teia de lavagem de dinheiro e as supostas conexões entre o banco e figuras do Judiciário.
O Fator STF e a Ausência de Vorcaro
Daniel Vorcaro decidiu não comparecer aos depoimentos marcados para esta semana. A decisão foi respaldada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo. Mendonça não autorizou o uso de um jato particular por parte do banqueiro e desobrigou sua ida à CPI, onde ele deporia como testemunha.
A investigação é considerada explosiva, pois toca em nomes sensíveis da Suprema Corte. Recentemente, vieram à tona contratos milionários do banco com escritórios de advocacia ligados a familiares de ministros, além de negócios imobiliários envolvendo fundos conectados ao Master.
Por que Alcolumbre não abre a CPI?
Embora existam assinaturas suficientes para a criação de uma CPI exclusiva do Master, Alcolumbre tem segurado os requerimentos. Nos bastidores do Senado, a avaliação é de que o presidente da Casa não quer mexer nesse “vespeiro” em ano eleitoral, temendo que o desgaste atinja diversos partidos e comprometa a estabilidade política no Congresso.
Próximos Passos:
Nesta semana, a CPI do Crime Organizado deve votar novos requerimentos para convocar o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, e outras figuras ligadas aos contratos suspeitos. Já a CAE se reúne com órgãos de controle como a CGU e o Banco Central para cruzar dados fiscais.
A estratégia dos senadores agora é transformar as comissões permanentes em “mini-CPIs”. Como disse o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), uma investigação só é enterrada se não houver recurso à Justiça. O clima de desconfiança entre o Legislativo e o Judiciário deve ditar o tom das próximas sessões em Brasília.
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