O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como uma medida essencial para ampliar o combate ao crime organizado no Brasil. A declaração foi feita durante a estreia de um programa de rádio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Segundo o ministro, a proposta enviada pelo governo ao Congresso Nacional amplia as condições de atuação da Polícia Federal e de outras instituições de segurança em operações de alcance nacional. Atualmente, a Constituição atribui aos estados grande parte das responsabilidades na área.
Boulos argumentou que organizações criminosas atuam em escala nacional e que, por isso, as forças estaduais enfrentam limitações para combater essas redes fora de seus territórios.
Na avaliação do ministro, a PEC tem condições de avançar no Legislativo e seria mais eficaz do que iniciativas externas para enfrentar o problema. Ele também criticou a postura do governo dos Estados Unidos em relação à segurança na América Latina.
O tema da cooperação entre Brasil e Estados Unidos deve integrar a agenda de uma reunião prevista entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump. Boulos defendeu que a parceria inclua a localização, prisão e deportação de investigados que estejam em território americano.
O ministro citou como exemplo investigações sobre esquemas de sonegação fiscal bilionários, destacando a necessidade de colaboração internacional para responsabilizar suspeitos que residem no exterior.
Durante a entrevista, Boulos também ressaltou que o governo federal tem reforçado mecanismos de controle interno, incluindo o fortalecimento da Controladoria-Geral da União para investigar irregularidades, mesmo quando envolvem pessoas indicadas pela própria administração.
Ele mencionou apurações sobre fraudes em benefícios do INSS e afirmou que o compromisso é com a transparência e a responsabilização.
Por fim, o ministro defendeu um debate equilibrado sobre segurança pública e instituições. Segundo ele, críticas são legítimas em uma democracia, mas não devem se transformar em ataques que coloquem em risco o funcionamento das instituições, incluindo o Supremo Tribunal Federal.
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