O mercado brasileiro de algodão em pluma apresenta um cenário de sustentação e baixa liquidez neste final de fevereiro de 2026. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços seguem estáveis devido a um braço de ferro entre produtores, que mantêm postura firme nos valores para lotes de alta qualidade, e compradores, que monitoram o ritmo ainda lento das vendas de manufaturados.
O período pós-carnaval também influenciou o ritmo das negociações, com muitos agentes postergando contratos devido a questões logísticas. Além disso, a indústria têxtil nacional segue cautelosa, aguardando uma reação mais robusta no consumo de produtos acabados para ampliar seus estoques de matéria-prima.
Perspectivas para a Safra 2025/26
No campo, os cotonicultores brasileiros concentram esforços na finalização da semeadura. Embora os números projetados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indiquem uma leve retração em relação ao ciclo anterior, o Brasil deve consolidar um volume expressivo de pluma:
- Produção estimada: 3,8 milhões de toneladas (queda de 6,7% frente à safra 24/25);
- Área cultivada: 2,018 milhões de hectares (redução de 3,2%);
- Produtividade média: Projetada em 1.884 kg por hectare;
- Rastreabilidade: O programa SouABR inicia 2026 em expansão, já tendo rastreado 319 mil peças de algodão, fortalecendo a confiança no produto brasileiro.
Fatores de Monitoramento
Para as próximas semanas, o mercado deve ficar atento a dois pontos cruciais. Primeiro, o desenvolvimento climático das lavouras recém-semeadas, que determinará se a produtividade estimada se manterá. Segundo, a paridade de exportação, já que o Brasil ocupa posição de destaque no mercado global e o câmbio influencia diretamente a competitividade da pluma brasileira no exterior.
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