Ministros das áreas de infraestrutura defenderam, nesta segunda-feira (9), o fortalecimento de parcerias com a iniciativa privada para ampliar os investimentos em setores estratégicos como rodovias, portos, aeroportos, saneamento e habitação. A avaliação foi apresentada durante um seminário realizado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, destacou que os investimentos precisam ser tratados como uma política permanente do Estado. Segundo ele, a continuidade dos projetos é fundamental para sustentar o crescimento econômico e garantir previsibilidade ao setor.
Durante o evento, que reuniu representantes de empresas de infraestrutura, bancos e gestoras de recursos, o ministro reforçou o compromisso do governo em apoiar novos aportes. Ele citou como exemplo o programa Minha Casa, Minha Vida, responsável por grande parte dos lançamentos imobiliários recentes.
De acordo com o ministro, a meta do governo é alcançar, até o fim de 2026, três milhões de contratos assinados com famílias beneficiadas. Ainda assim, ressaltou que áreas como mobilidade urbana e saneamento básico só alcançarão suas metas com a participação do capital privado.
Em conversa com jornalistas, Jader Barbalho Filho informou que o governo federal já investiu R$ 60 bilhões em saneamento, mas afirmou que a universalização do acesso à água e ao esgoto até 2033 depende da ampliação das parcerias.
Atração de capital
O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o Brasil possui atualmente o maior conjunto de projetos de concessão rodoviária em preparação no mundo. Segundo ele, a expectativa é contratar cerca de R$ 400 bilhões em investimentos privados ao longo de um ciclo mais amplo de obras.
Esses recursos devem ser direcionados principalmente para rodovias, ferrovias e projetos de mobilidade, com contratos que ultrapassam um único mandato presidencial.
Déficit em infraestrutura
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, apontou que o país enfrenta um hiato de investimentos em infraestrutura equivalente a 1,74% do Produto Interno Bruto. Para reverter esse cenário, o volume anual necessário seria de pelo menos R$ 218 bilhões.
Mercadante ressaltou que o Novo Programa de Aceleração do Crescimento já soma R$ 788 bilhões em investimentos desde 2023 e afirmou que a projeção é atingir R$ 1 trilhão.
No evento, o presidente do banco anunciou a aprovação de R$ 9,2 bilhões em financiamento para obras de melhorias em 662 quilômetros de rodovias no Paraná, abrangendo trechos federais e estaduais.
Mercado de capitais
A diretora de Infraestrutura do BNDES, Luciana Costa, defendeu a atuação do banco no mercado de capitais como forma de ampliar o financiamento de longo prazo. Segundo ela, a estratégia envolve dividir riscos e retornos com instituições financeiras privadas.
Ela destacou que, embora o mercado brasileiro ainda não tenha a mesma profundidade de países mais desenvolvidos, o volume de operações vem crescendo, impulsionado pela atuação do banco público.
Captação recorde
O diretor-executivo da B3, Gilson Finkelsztain, afirmou que o mercado de capitais se consolidou como a principal fonte de captação das empresas. Em 2025, foram registrados R$ 496 bilhões em emissões de debêntures, sendo R$ 172 bilhões destinados a projetos de infraestrutura.
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