Guinness é encontrada após 162 anos em naufrágio

Garrafa lacrada de Guinness foi achada no naufrágio do Mindoro e será analisada para revelar o sabor da cerveja vitoriana.

Uma garrafa de Guinness lacrada há cerca de 162 anos foi encontrada entre os destroços do navio Mindoro, no Canal da Mancha. A descoberta ocorreu durante uma expedição do mergulhador Stefan Panis, que localizou o recipiente entre a areia e partes do naufrágio.

Após retirar a peça da água e enxaguá-la, Panis identificou a inscrição “Guinness Extra Stout, London” na vedação. O Mindoro afundou em 27 de novembro de 1864, após uma colisão, durante o reinado da rainha Vitória.

Garrafa pode revelar sabor do século 19

Panis e o pesquisador e mergulhador Pawel Truszynski agora querem descobrir o estado da bebida. A possibilidade de uma degustação depende dos resultados de análises laboratoriais. Caso a água do mar não tenha entrado no recipiente, o líquido pode ter permanecido protegido por todo esse período.

Mesmo que a cerveja não esteja própria para consumo, os pesquisadores esperam encontrar levedura ou material genético preservado. Esses vestígios podem ajudar a entender como a bebida era produzida na época vitoriana.

Outras garrafas estão no naufrágio

A descoberta não se limita a uma única garrafa. Outras unidades foram encontradas próximas ao local, dentro de caixas de madeira ainda associadas aos destroços do Mindoro, a aproximadamente cinco quilômetros da costa de Dover, na Inglaterra.

O movimento das correntes marítimas modifica a camada de areia sobre o naufrágio. Em alguns momentos, os sedimentos escondem parte da carga; em outros, deixam objetos expostos novamente. Essa dinâmica pode explicar por que as caixas não haviam sido localizadas em expedições anteriores.

Segundo Truszynski, algumas garrafas foram armazenadas de cabeça para baixo. A posição, combinada com a pressão existente em profundidade, pode ter contribuído para evitar a entrada de água salgada pelos gargalos.

Análise vai definir se cerveja pode ser provada

A vedação será um dos principais pontos avaliados pelos especialistas. Se a água do mar tiver alcançado o interior, microrganismos podem ter contaminado a bebida. Por isso, qualquer degustação dependerá da confirmação de segurança em laboratório.

Amostras foram enviadas à KU Leuven, na Bélgica, onde o microbiologista Kevin Verstrepen fará os exames. Panis afirmou que aceitará provar a cerveja caso os testes indiquem que isso é seguro. Truszynski também pretende participar de uma eventual degustação.

Levedura pode ajudar a recriar a bebida

A pesquisa recebeu o nome de Project Jurassic Beer. Uma das etapas previstas é o sequenciamento do DNA da levedura encontrada no conteúdo da garrafa. O objetivo é descobrir como ela se relaciona com linhagens utilizadas na produção de cerveja.

Verstrepen avalia que a levedura original pode não estar mais viva. Ainda assim, seu material genético pode indicar parentesco com linhagens modernas. A partir dessas informações, os pesquisadores poderiam produzir uma cerveja com características semelhantes às da bebida encontrada no naufrágio.

A Guinness foi fundada na Irlanda em 1759. A carga recuperada provavelmente havia sido exportada para Londres antes de seguir a bordo do navio britânico.

Naufrágio ocorreu após colisão

O Mindoro deixou o porto em 20 de novembro de 1864. Sete dias depois, colidiu com o Khersonese e afundou no Canal da Mancha. Nenhum integrante da tripulação morreu no acidente, mas a carga ficou submersa desde então.

Os mergulhadores planejam voltar ao local para recuperar outros exemplares. A expectativa é que duas garrafas sejam entregues à Guinness e outras duas sejam encaminhadas ao laboratório de Verstrepen.

Enquanto os estudos avançam, Panis mantém a primeira garrafa em sua garagem, submersa em água e protegida da luz. A estratégia busca reproduzir parte das condições que ajudaram a conservar o recipiente durante 162 anos. O próximo passo será descobrir, por meio dos exames, o que restou da antiga cerveja.

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