Elefanta Pocha: a emocionante viagem da Argentina até o santuário em Mato Grosso

Após 56 anos em cativeiro na Argentina e 3.600 km de estrada, a elefanta Pocha encontrou refúgio e deixou seu legado em Mato Grosso. Leia a história!

Durante décadas, o mundo de Pocha e de sua filha Guillermina limitava-se a paredes de pedra e concreto no antigo Zoológico de Mendoza, na Argentina. Essa dura realidade mudou em maio de 2022, quando uma operação internacional de grande porte trouxe as duas elefantas asiáticas para o coração de Mato Grosso, oferecendo a elas uma nova vida em meio à natureza.

De um fosso de cimento na Argentina rumo ao Cerrado mato-grossense

  • Pocha chegou a Mendoza em 1968, ainda jovem, e passou grande parte da vida no local. Anos depois, deu à luz Guillermina dentro do próprio recinto subterrâneo.
  • A situação da filha era ainda mais restrita: Guillermina nasceu atrás daqueles muros e nunca havia visto o mundo fora do zoológico, dividindo o espaço com a mãe por mais de duas décadas.
  • Em maio de 2022, após anos de planejamento e avaliações sanitárias, as elefantas embarcaram em uma jornada histórica de 3.600 quilômetros pela estrada até cruzarem a fronteira rumo ao solo brasileiro.

A longa travessia e o refúgio na Chapada dos Guimarães (MT)

Retirar dois animais de grande porte de um recinto de difícil acesso exigiu meses de treinamento de reforço positivo para que ambas entrassem voluntariamente em caixas de transporte especiais de 5 toneladas. Foram cinco dias de estrada, com escolta especializada, paradas estratégicas para hidratação e monitoramento veterinário até chegarem ao seu destino final.

As elefantas encontraram refúgio no Santuário de Elefantes Brasil, localizado na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. A instituição opera desde 2016 e disponibiliza cerca de 1.200 hectares de áreas abertas, pastagens, córregos e vegetação típica de Cerrado, substituindo o antigo piso de cimento por liberdade e estímulos naturais.

Poxa em chapada
Após décadas em cativeiro, elefanta chega a santuário de animais na Chapada dos Guimarães (MT)

A morte emocionante de Pocha e a nova vida de Guillermina em Mato Grosso

Para Guillermina, que passou cerca de 24 anos em um fosso de concreto, contemplar o horizonte e o pôr do sol em terras mato-grossenses foi uma experiência inédita e transformadora.

Porém, a história em Mato Grosso teve um desfecho doloroso para a mãe: a jornada de Pocha no santuário durou poucos meses. Ela faleceu em 6 de outubro de 2022, aos 57 anos, em decorrência de uma doença renal crônica grave. Apesar da perda precoce, a transferência histórica garantiu que seus últimos meses de vida fossem vividos com dignidade, grama sob as patas e liberdade, longe das paredes de cimento.

Pocha
Pocha tem 55 anos e vivia na Argentina desde 1968, depois de chegar da Alemanha.

Mesmo após a morte da mãe, Guillermina permaneceu em Mato Grosso, onde aprendeu a explorar grandes extensões de terra, socializar com outros elefantes do santuário e recuperar a saúde e o peso ideais.

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