Tribunal de Justiça adota sistema eletrônico para envio em tempo real de ordens de penhora de imóveis aos cartórios em Mato Grosso

Novo sistema do TJMT envia ordens eletronicamente aos cartórios e permite acompanhar etapas como recebimento, prenotação e cumprimento.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) adotou um novo sistema digital que viabiliza o envio eletrônico em tempo real de ordens judiciais de penhora de imóveis diretamente aos cartórios de Registro de Imóveis em Mato Grosso. A inovação tecnológica tem como objetivo otimizar o tempo de tramitação processual, eliminar o retrabalho administrativo e simplificar o monitoramento do cumprimento das decisões.

Anteriormente, o Judiciário estadual utilizava múltiplos canais descentralizados, como o Sistema Penhora On-line e o Hermes Malote Digital. Com a reestruturação, o fluxo operacional foi centralizado e padronizado por meio do Constri-Jud, módulo integrado ao Sistema Eletrônico dos Registros Públicos do Judiciário (SERP-JUD) e regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Funcionamento do Sistema e Atuação da Anoreg-MT

Desenvolvida pelo Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), a ferramenta é de uso obrigatório pelas varas. O procedimento prevê que a secretaria insira a ordem, que é submetida à validação e assinatura do magistrado antes de ser transmitida eletronicamente à serventia extrajudicial competente.

  • Dinâmica de Registro: A Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso (Anoreg-MT) esclarece que a transmissão em tempo real se refere à disponibilização da ordem pelo juiz, sendo necessária a tramitação regular no cartório para a efetiva averbação na matrícula.
  • Redução de Riscos: Segundo Velenice Dias, presidente da Anoreg-MT, a comunicação direta estreita a chamada “janela de risco” entre a ordem judicial e o protocolo, minimizando falhas operacionais e elevando a segurança jurídica.

Estatísticas e Próximas Fases

Entre os anos de 2020 e 2025, aproximadamente 1,2 mil penhoras imobiliárias foram processadas no estado, enquanto os primeiros sete meses de 2026 já somam 361 registros, embora a entidade reforce que os números reflitam variações processuais e não necessariamente um incremento isolado no endividamento.

Nesta etapa inicial, o Constri-Jud engloba ordens de penhora, arresto e sequestro, com planos de expansão futura para incorporar o cancelamento de constrições, averbações premonitórias, bloqueios e hipotecas judiciais. Especialistas lembram, contudo, que a tecnologia não substitui as cautelas habituais na compra de imóveis, como a obtenção de certidões atualizadas de matrícula.

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