Politec identifica duas vítimas de queda de avião com histórico de tráfico em Água Boa; investigação apura rota para a Venezuela

Politec identificou vítimas por impressões digitais e arcada dentária; terceira pessoa que morreu na queda em Água Boa ainda não foi identificada.

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) identificou duas das três pessoas que morreram na queda de um avião de pequeno porte em Água Boa, no Mato Grosso. As vítimas são Vanderlei Sattler, de 65 anos, e Luiz Alberto Martinez, de 44 anos. A identidade do terceiro ocupante ainda está em processo de confirmação.

Vanderlei, natural de Montenegro (RS), foi identificado em 14 de setembro por meio das impressões digitais, utilizando o método papiloscópico. Luiz Alberto, natural de Assunção, no Paraguai, teve a identidade confirmada pela análise da arcada dentária, pelo método odontolegal.

O acidente aconteceu em 10 de setembro, na Fazenda Santa Rita, região da Pedreira Shalon, em Água Boa. Após a queda, a aeronave pegou fogo e os três corpos foram encontrados dentro dos destroços. O estado das vítimas impediu a identificação visual, levando os peritos a recorrerem a métodos técnicos.

A Polícia Civil também investiga as circunstâncias do voo e a origem e o destino da aeronave. O avião, um Cessna 402 de prefixo N401NA, teria decolado de Goiânia sem plano de voo aprovado e sem documentação regular para operar no Brasil. Uma das possibilidades analisadas pelos investigadores é que o destino fosse a Venezuela.

A apuração ainda considera indícios de possível utilização da aeronave em uma atividade ilícita relacionada ao tráfico internacional de drogas. Segundo a Polícia Civil, familiares relataram que um dos ocupantes havia informado que seguiria para a Venezuela. A investigação sobre a rota e as circunstâncias do voo continua em andamento.

Aeronave já havia sido apreendida com cocaína

O Cessna 402 também possui histórico relacionado a uma investigação de tráfico de drogas. Em dezembro de 2017, a mesma aeronave foi apreendida em Goiânia pela Polícia Federal, após agentes encontrarem cocaína escondida no avião.

Na operação, dois irmãos gêmeos espanhóis foram presos. Inicialmente, foram localizados 67 kg de cocaína escondidos no assoalho. Depois, outras porções foram encontradas nas asas da aeronave, elevando o total apreendido para 98,8 kg.

Após o processo criminal, a aeronave foi vendida pela Justiça em leilão público. Cerca de quatro meses antes da queda em Mato Grosso, o avião havia sido adquirido por um novo proprietário. A Polícia Civil investiga a compra, a rota percorrida e as circunstâncias da decolagem.

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