O mercado de grãos opera com viés de alta nesta quinta-feira (10), impulsionado por fatores externos e pela forte demanda interna, com o milho disponível cotado a R$ 53 por saca na região Oeste de Mato Grosso. O movimento de valorização ocorre na véspera da publicação do aguardado relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Conforme análise divulgada pelo portal Agronews e assinada pelo consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes Luiz Cunha, o cenário macroeconômico externo também exerce forte influência: o petróleo do tipo Brent supera a marca de US$ 104 por barril, enquanto a cotação do dólar avança para R$ 5,131, elevando a cautela com os custos logísticos e de insumos importados.
Cenário Externo, Bolsa de Chicago e Demanda Chinesa
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros de soja, milho e trigo operam em campo positivo:
- Clima no Corn Belt: As lavouras norte-americanas enfrentam um período de tempo quente e seco, gerando apreensão entre os analistas quanto ao peso final e à qualidade dos grãos na reta final do ciclo produtivo.
- Exportações dos EUA: O suporte aos preços também é garantido pela confirmação recente, por parte do USDA, de vendas de 340 mil toneladas de soja para a China e outras 100 mil toneladas direcionadas a destinos não informados.
Mercado Físico Regional em Mato Grosso
No mercado físico mato-grossense, as cotações refletem a escassez de oferta imediata e a robustez do consumo interno:
- Soja: A saca da oleaginosa disponível na região Oeste do estado trabalha na faixa de R$ 140, enquanto as negociações antecipadas para a safra futura 2026/27 registram referência aproximada de R$ 123 por saca.
- Milho: O cereal apresenta forte sustentação regional, cotado a R$ 53 para pronta entrega e com a posição futura indicada em R$ 52 por saca, impulsionado diretamente pela demanda aquecida das indústrias de ração e das usinas produtoras de etanol de milho instaladas no estado.
No câmbio, a valorização da moeda norte-americana reflete a aversão global ao risco em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio e no leste europeu, o que estimula as paridades de exportação, mas encarece o pacote tecnológico e os fertilizantes. As atenções do setor permanecem voltadas para os dados oficiais que serão consolidados pelo USDA nesta sexta-feira.
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