Mato Grosso lidera emissões de CO₂ no país pelo 2º ano consecutivo, mas registrou queda expressiva em 2024

Mato Grosso liderou emissões líquidas por dois anos, mas reduziu o volume de pouco mais de 250 para mais de 150 MtCO₂e em 2024 no período analisado.

O estado de Mato Grosso liderou pela segunda vez consecutiva o ranking nacional de emissões líquidas de dióxido de carbono entre as unidades federativas brasileiras, mas apresentou uma retração expressiva no volume total lançado na atmosfera em 2024. Os dados foram divulgados no Anuário Estadual de Mudanças Climáticas 2026, publicação desenvolvida pelo Centro Brasil no Clima (CBC) e pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS), com base nas estatísticas consolidadas do Observatório do Clima.

De acordo com o levantamento, o estado manteve-se na primeira colocação nos setores de agropecuária e LULUCF (sigla em inglês para uso da terra, mudanças no uso da terra e florestas). Em termos comparativos, a queda foi acentuada: enquanto em 2023 as emissões estaduais superaram a marca de 250 MtCO₂e, o volume registrado em 2024 recuou para pouco mais de 150 MtCO₂e.

Metodologia e panorama nacional

A unidade de medida utilizada no estudo, MtCO₂e (milhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente), padroniza diferentes gases de efeito estufa — como o metano e o óxido nitroso — em uma única métrica fundamentada no potencial de aquecimento global de cada substância.

Além de Mato Grosso, o anuário aponta que estados como Pará, Minas Gerais, São Paulo, Maranhão e Bahia figuram no topo das maiores emissões brutas do país, um reflexo direto da conjunção entre extensas áreas de desmatamento, expansão agropecuária e forte adensamento industrial e urbano.

O estudo também mapeou uma tendência de queda generalizada nas emissões líquidas em grande parte do território nacional, impulsionada sobretudo pela diminuição do desmatamento em regiões da Amazônia. Contudo, o comportamento não foi homogêneo: estados como Rio Grande do Sul, Piauí, Roraima e Minas Gerais registraram alta nas emissões no mesmo período.

Posição do Brasil no cenário global

No panorama internacional, o Brasil ocupa atualmente a sexta posição entre os maiores emissores globais de gases de efeito estufa (considerando a União Europeia integrada como um único bloco, que aparece na quinta colocação). O relatório ressalta que, diferentemente de potências industriais como China, Estados Unidos e Índia — cujas emissões derivam majoritariamente da queima de combustíveis fósseis —, a pegada brasileira está fortemente atrelada à dinâmica de mudanças no uso da terra, desmatamento e atividades agropecuárias.

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