A Polícia Civil de Mato Grosso participou na manhã desta quinta-feira (13) da Operação Orfeu, deflagrada para desarticular um grupo criminoso especializado em fraudes eletrônicas que utilizava indevidamente o nome do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em campanhas falsas de doação via Pix. Um dos alvos da investigação foi localizado e preso no município mato-grossense de Lucas do Rio Verde.
A ação foi coordenada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e ocorreu de forma simultânea nos estados de Mato Grosso e do Maranhão, cumprindo mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão contra três suspeitos apontados como integrantes do esquema.
Esquema fraudulento e atuação dos suspeitos
De acordo com as investigações, o grupo estruturou uma campanha humanitária falsa, valendo-se do prestígio e da credibilidade do Unicef para conferir aparência de legitimidade às abordagens aplicadas em redes sociais e plataformas digitais. As vítimas eram convencidas de que os recursos repassados por meio de transferências instantâneas (Pix) seriam revertidos para a proteção de crianças em situação de vulnerabilidade.
No entanto, a apuração policial revelou que os valores arrecadados eram desviados diretamente para contas controladas pelos próprios membros da organização criminosa. A fraude possui alcance nacional, com o registro de vítimas em território brasiliense e em diversos outros estados.
Dos três alvos da operação, dois foram localizados pelas equipes policiais na cidade de Imperatriz (MA), enquanto o terceiro foi capturado em Lucas do Rio Verde (MT).
Crimes investigados e penas
Para a autoridade policial, a conduta delituosa vai além do prejuízo financeiro causado às vítimas, atingindo severamente a confiança pública em campanhas filantrópicas e instituições de assistência humanitária legítimas.
Os investigados poderão responder criminalmente por:
- Estelionato eletrônico;
- Associação criminosa;
- Falsidade ideológica;
- Uso de documento falso.
Caso sejam condenados, a soma das penas máximas previstas para os crimes investigados pode chegar a 21 anos de reclusão, além do pagamento de multas, sem prejuízo de novas imputações a serem levantadas no andamento do inquérito.
Origem do nome
O batismo da Operação Orfeu faz alusão ao personagem da mitologia grega famoso por seu extraordinário poder de persuasão através da música e das palavras. A analogia reflete o modus operandi atribuído ao grupo, que se utilizava de intensa retórica persuasiva e da imagem institucional de entidades sérias para enganar a população.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.