A poeira vermelha levantada pelas carretas na BR-163 no início dos anos 1980 guardava poucas pistas do tamanho que a região assumiria décadas depois. Recém-chegado do Rio Grande do Sul, um jovem gaúcho chamado Otaviano Olavo Pivetta fixou raízes em meio ao cerrado aberto, transformando a atividade no campo em base para a construção de uma das trajetórias políticas mais longevas e influentes da história recente de Mato Grosso.
Nascido em Caiçara (RS) em maio de 1959, Pivetta encontrou no Médio-Norte mato-grossense o cenário ideal para expandir seus negócios no agronegócio e, posteriormente, migrar para a vida pública. O ponto de partida dessa jornada foi Lucas do Rio Verde, município que abraçou sua carreira e serviu como laboratório para o estilo administrativo que hoje ele tenta expandir para todo o estado.
A fundação da vitrine administrativa em Lucas do Rio Verde
A entrada oficial na política municipal ocorreu em 1996, quando venceu sua primeira disputa para a prefeitura com 3.105 votos, assumindo o cargo em janeiro de 1997. Foram dois mandatos consecutivos até 2004 e um retorno vitorioso em 2012, totalizando 12 anos à frente do Executivo municipal.
Foi durante esse período que a arrecadação da cidade saltou de aproximadamente R$ 6,8 milhões para R$ 104,3 milhões, impulsionada pelo avanço da fronteira agrícola e pela chegada de gigantes globais da agroindústria, como Bunge, Cargill, ADM, Amaggi e BRF. Pivetta concentrou esforços em estruturar redes de saúde, educação e urbanização, consolidando uma marca pessoal avessa à autopromoção política.
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Dessa vivência nasceu o conceito que ele próprio popularizou: o “fazimento”. O termo sintetiza uma gestão focada na entrega de obras, rigor fiscal e cobrança por resultados práticos, distanciando-se de discursos prolongados. Essa mesma dinâmica de desenvolvimento econômico também transformou polos vizinhos como Sorriso e Nova Mutum em referências nacionais de produção de grãos.
Desafios, derrotas e controvérsias na rota pública
Apesar da forte hegemonia em redutos do interior, a trajetória de Pivetta também registrou reveses marcantes. O mais emblemático ocorreu nas urnas de 2016, quando tentou o quarto mandato à frente da prefeitura de Lucas do Rio Verde. Acabou derrotado por uma margem apertada de apenas 242 votos para o adversário Flori Luiz Binotti, num pleito marcado por embates jurídicos na véspera da votação.
Além das urnas, sua biografia carrega episódios explorados por opositores políticos, como investigações envolvendo a antiga Cooperlucas — na qual sempre negou responsabilidade direta ou condenações — e ocorrências de natureza pessoal ocorridas em Santa Catarina, que acabaram arquivadas na esfera judicial. Tais fatos compõem o histórico debatido nos palanques, mas frequentemente esbarram na ausência de punições definitivas.
Do legislativo estadual ao Palácio Paiaguás
A projeção conquistada no interior abriu portas para a política de âmbito estadual. Eleito deputado estadual em 2006, Pivetta ampliou sua articulação com prefeitos e lideranças regionais, facilitando sua transição para chapas majoritárias. Em 2010, integrou a chapa governamental ao lado de Mauro Mendes. Anos depois, a aliança foi retomada com vitórias expressivas nas urnas em 2018 e 2022.
Com a desincompatibilização do titular para disputar novas cadeiras no Senado Federal, Pivetta assumiu definitivamente o comando do Palácio Paiaguás. Aos 67 anos, o ex-prefeito tenta agora consolidar o método de gestão que testou no interior, transformando a antiga promessa do “fazimento” em eixo central de seu projeto político para o futuro de Mato Grosso, enquanto o cenário político estadual define os novos rumos administrativos da gestão pública.
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