A alta nos preços dos combustíveis que pesa no bolso do motorista mato-grossense ganhou novos contornos de tensão nesta terça-feira (22). O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT) rompeu o silêncio e disparou uma nota dura repudiando o que classificou como “oportunismo político” de candidatos em plena campanha eleitoral.
Segundo a entidade, políticos estariam usando o problema estrutural do mercado para fazer demagogia e transformar os postos de combustíveis em “bodes expiatórios” perante a opinião pública.
O furacão macroeconômico: Por que o preço disparou em setembro?
O sindicato detalhou uma verdadeira tempestade perfeita que atingiu o setor ao longo deste mês de setembro, empurrando os custos para cima nas bombas de todo o estado:
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Petróleo nas alturas: A disparada do barril de petróleo no mercado internacional impactou diretamente os custos na origem.
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Crise no Etanol: O encerramento antecipado da safra de cana-de-açúcar no Sudeste, combinado com a alta do preço do açúcar no mercado externo, pressionou fortemente os custos do biocombustível.
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Mistura obrigatória: O aumento do percentual obrigatório de etanol anidro adicionado à gasolina A também encareceu o produto final.
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Gargalo no Diesel: Uma redução drástica nas importações de óleo diesel gerou severos problemas de suprimento nacional, com episódios de contingenciamento de pedidos e risco de desabastecimento nas distribuidoras.
Como consequência, os donos de postos em Mato Grosso viram-se espremidos entre os sucessivos reajustes repassados pelas grandes distribuidoras e a revolta dos consumidores.
“Posto não é formador de preço”
O ponto central da manifestação do Sindipetróleo-MT é a defesa intransigente de que os postos revendedores não formam preços, mas apenas repassam os custos impostos pelos elos anteriores da cadeia produtiva — que engloba usinas, refinarias, importadores e distribuidoras.
“Não nos opomos a nenhum tipo de fiscalização. Pelo contrário: defendemos o rigor da lei. Exigimos, no entanto, que a apuração seja isonômica e alcance todos os elos da cadeia produtiva e de distribuição, e não apenas o elo mais visível ao consumidor final“, rebate a diretoria da entidade.
Para o sindicato, direcionar fiscalizações exclusivamente para o varejo com o objetivo de gerar palanque eleitoral é uma manobra desonesta que desinforma a sociedade, mascara os reais gargalos econômicos e penaliza injustamente o comerciante local.
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