Reforma Tributária exige mais planejamento e atenção dos produtores rurais

A transição para o novo sistema tributário brasileiro já começou a mudar a rotina do produtor rural e exigirá cada vez mais atenção à gestão das propriedades. O alerta foi apresentado durante a palestra “A Reforma Tributária, o Crédito e a Prorrogação da Dívida no Agronegócio”, realizada na noite desta quarta-feira (9), no Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde, em uma iniciativa da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e da entidade sindical do município.

O encontro reuniu especialistas para orientar produtores sobre as mudanças tributárias, as alternativas de crédito rural e os cuidados necessários diante de um cenário econômico e climático marcado por incertezas.

Assessor técnico de agricultura da Famato, Alex Oliveira Rosa destacou que a entidade vem trabalhando junto ao setor produtivo para levantar demandas e sugestões que possam contribuir para o aprimoramento das políticas de crédito rural. Segundo ele, o Plano Safra 2026/27 disponibilizou R$ 525,1 bilhões em crédito rural, mas apenas cerca de R$ 70 bilhões correspondem a recursos subsidiados, com juros mais acessíveis ao produtor.

Para Alex, antes de contratar recursos, o produtor precisa avaliar cuidadosamente a capacidade de pagamento da propriedade. Taxas de juros, ciclo produtivo, retorno do investimento e riscos climáticos devem fazer parte da decisão.

“A gente tem que fazer bem essa análise financeira”, explicou, destacando a importância de colocar as contas no papel e avaliar se o crédito efetivamente terá condições de se pagar.

O cenário de juros elevados também aumenta a necessidade de cautela. Segundo o assessor, a taxa Selic influencia o custo do crédito rural e, consequentemente, exige uma gestão financeira mais rigorosa. Ao mesmo tempo, os riscos climáticos permanecem entre os fatores que o produtor não consegue controlar diretamente.

Reforma muda rotina do produtor

Se o crédito exige planejamento financeiro, a Reforma Tributária acrescenta uma nova camada de complexidade à administração das propriedades.

O assessor técnico tributário da Famato, José Cristóvão Martins Júnior, explicou que as mudanças não ficarão restritas aos escritórios de contabilidade. O produtor também terá de compreender como as novas regras interferem em decisões cotidianas, desde a compra de insumos e bens de capital até os contratos firmados com compradores da produção.

A preocupação da entidade é evitar que a falta de conhecimento resulte em prejuízos. Para José Cristóvão, o produtor precisará sentar com contador e advogado para planejar as operações e compreender os efeitos tributários de suas escolhas.

A mudança representa, na avaliação do especialista, uma necessidade de ampliar a visão administrativa do negócio. Mesmo quando determinadas atividades são executadas por terceiros, o produtor precisa acompanhar os processos e compreender se as decisões estão de acordo com os objetivos da propriedade.

Entre os possíveis pontos positivos, José Cristóvão citou a unificação de legislações tributárias. Porém, ponderou que a transição ocorre em meio a novas normas e informações que ainda estão sendo consolidadas, aumentando a complexidade para empresas e produtores.

Mudança chega ao campo

Presidente do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde, Tiago Cinpak ressaltou que a Famato vem promovendo rodadas técnicas nos municípios justamente para acompanhar as alterações e preparar os produtores para as próximas etapas.

Segundo ele, uma das principais mudanças para quem atua como pessoa física na atividade rural está relacionada à forma de recolhimento dos tributos. Produtores com faturamento acima de R$ 4 milhões deverão lidar com um sistema baseado em crédito e débito, acompanhado de novas exigências contábeis, jurídicas e fiscais.

A orientação deixada durante o encontro é clara: o produtor rural precisará olhar cada vez mais para a propriedade como uma empresa, conciliando conhecimento técnico da produção com planejamento financeiro, tributário e administrativo.

Com a transição tributária avançando e novas regras sendo incorporadas ao sistema, a informação passa a ser uma ferramenta tão importante quanto o crédito e a tecnologia para preservar margens e evitar custos desnecessários.

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