A conclusão da colheita do algodão em Mato Grosso marca mais do que o encerramento de uma etapa agrícola. Para cidades do Nortão e Médio-Norte, onde a produção é uma das principais fontes de renda e geração de empregos, o fim dos trabalhos no campo abre uma nova fase de intensa movimentação econômica.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a safra 2025/26 alcançou 100% da área colhida nesta sexta-feira (11), consolidando um ciclo considerado positivo para os produtores. O ritmo ficou acima da média dos últimos cinco anos, resultado atribuído às condições climáticas favoráveis registradas ao longo do desenvolvimento da cultura.
Municípios como Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Diamantino, Campo Novo do Parecis, Campo Verde e Primavera do Leste estão entre os principais polos da cotonicultura mato-grossense e agora passam a concentrar esforços no beneficiamento da fibra e na logística de exportação.
O que muda após o fim da colheita?
Embora as máquinas deixem gradualmente as lavouras, a atividade econômica segue intensa. O algodão colhido precisa passar por beneficiamento, armazenagem, transporte e comercialização.
Esse processo movimenta uma extensa cadeia produtiva que envolve:
- Transportadoras;
- Oficinas mecânicas;
- Armazéns;
- Empresas de logística;
- Indústrias de beneficiamento;
- Setor de combustíveis;
- Comércio local.
Nas cidades produtoras, o impacto é percebido diretamente no cotidiano. O fluxo de caminhões aumenta nas rodovias, empresas ampliam operações e milhares de trabalhadores seguem empregados em atividades ligadas ao pós-colheita.
Produção reforça protagonismo de Mato Grosso
As estimativas do Imea apontam uma produção de aproximadamente 6,67 milhões de toneladas de algodão em caroço na safra 2025/26.
Após o beneficiamento, a pluma produzida em Mato Grosso abastecerá mercados nacionais e internacionais. O estado continua sendo o principal motor das exportações brasileiras do setor.
Somente em agosto, primeiro mês do ciclo comercial 2026/27, o Brasil embarcou 106,35 mil toneladas de pluma. Desse total, mais da metade teve origem em Mato Grosso.
Os números reforçam a força do estado em um mercado cada vez mais estratégico para a economia nacional.
Impacto direto nas cidades do Nortão
Para quem vive nas regiões produtoras, os reflexos vão além dos números divulgados em relatórios econômicos.
Em municípios como Lucas do Rio Verde e Sorriso, a renda gerada pelo algodão ajuda a sustentar diversos segmentos do comércio. Lojas de máquinas agrícolas, concessionárias, restaurantes, hotéis e prestadores de serviços sentem os efeitos positivos da circulação de recursos provenientes da safra.
Além disso, a arrecadação municipal também é beneficiada, contribuindo para investimentos em infraestrutura, saúde e educação.
Especialistas destacam que o algodão se tornou uma das culturas mais importantes para a diversificação econômica do agronegócio mato-grossense, reduzindo a dependência exclusiva da soja e do milho.
Exportações devem continuar em alta
A expectativa para os próximos meses é de manutenção da forte demanda internacional pela pluma brasileira.
De acordo com projeções acompanhadas pelo Imea, Mato Grosso deverá exportar cerca de 2,09 milhões de toneladas de pluma ao longo do ciclo comercial 2026/27.
O desempenho coloca o estado em posição estratégica para que o Brasil mantenha a liderança mundial nas exportações de algodão, superando concorrentes tradicionais do mercado global.
Enquanto os embarques avançam rumo aos portos e aos mercados internacionais, cidades do Nortão seguem colhendo os frutos de uma safra que reforça a importância do algodão para a economia regional e para o protagonismo de Mato Grosso no agronegócio mundial.
Cotações do Algodão
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