As cotações da laranja pera destinada ao mercado de mesa perderam força ao longo de agosto e se aproximaram dos valores praticados para a fruta destinada à indústria. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento ocorreu em um cenário de continuidade no recebimento, pelas fábricas, de frutas vinculadas a contratos que passaram por renegociação, além de compras pontuais no mercado spot.
Com menor pressão sobre a demanda pela fruta para consumo in natura, os preços da pera de mesa acabaram recuando durante o mês. As aquisições no mercado spot, por sua vez, permaneceram mais pontuais, contribuindo para limitar a sustentação das cotações.
O comportamento da laranja pera contrasta com o observado para a lima ácida tahiti, que segue em forte valorização. A fruta atravessa o período de entressafra, marcado pela redução sazonal da oferta, condição que tem sustentado a escalada dos preços.
De acordo com o Cepea, embora as condições de umidade estejam favoráveis ao desenvolvimento das frutas, os efeitos desse cenário sobre a disponibilidade comercial não são imediatos. Existe uma defasagem entre a melhora das condições para o desenvolvimento dos pomares e a efetiva chegada de maior volume de frutas ao mercado.
Com isso, no curto prazo, a oferta mais restrita continua sendo o principal fator de sustentação das cotações da tahiti. A expectativa de maior disponibilidade dependerá da evolução das lavouras e da entrada de novos volumes no mercado nas próximas semanas.
O cenário reforça a influência do ciclo produtivo sobre o mercado de citros. Enquanto a laranja pera encontra menor sustentação e se aproxima dos valores recebidos pela indústria, a tahiti permanece valorizada justamente pela menor oferta característica da entressafra.
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