A safra de soja no Rio Grande do Sul enfrenta um cenário desafiador em 2023, com um desempenho irregular diretamente ligado aos efeitos da estiagem que atinge diferentes regiões do estado. De acordo com o boletim conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na última quinta-feira (6), as condições climáticas têm gerado contrastes significativos entre áreas produtoras.
Impactos regionais da estiagem
Nas regiões onde as chuvas foram mais frequentes, como parte do Leste gaúcho, houve uma recuperação parcial das lavouras, mantendo o potencial produtivo alinhado às expectativas iniciais. No entanto, áreas severamente afetadas pelo déficit hídrico apresentam prejuízos graves, com sintomas visíveis como enrolamento das folhas, abortamento de estruturas reprodutivas e redução no tamanho dos grãos, intensificados pelas altas temperaturas.
Atualmente, cerca de 57% das lavouras gaúchas estão na fase de enchimento de grãos, enquanto aproximadamente 20% já se encontram em maturação. A colheita, por outro lado, foi iniciada em apenas 3% das áreas, principalmente em locais onde a falta de chuva antecipou o ciclo das plantas, resultando em quedas expressivas nos rendimentos.
Causas da irregularidade produtiva
A irregularidade no desempenho da safra é consequência direta das variações nas precipitações registradas ao longo dos meses de janeiro e fevereiro, além de fatores como diferenças nas épocas de semeadura e condições do solo. Problemas estruturais, como compactação do solo, monocultura contínua e baixos níveis de matéria orgânica, agravaram os danos em algumas localidades, especialmente no Centro-Oeste gaúcho, a região mais prejudicada até o momento.
Aspectos fitossanitários e manejo
No campo fitossanitário, o destaque vai para o alto nível de infestação por tripes no Noroeste do estado, onde os danos ultrapassaram o limiar econômico. Já as ocorrências de percevejos fitófagos e lagartas desfolhadoras permanecem sob controle, graças ao manejo adequado realizado pelos produtores.
Para minimizar perdas, muitos agricultores estão realizando aplicações noturnas de fungicidas e inseticidas, com foco especial no combate à ferrugem-asiática. Essa estratégia busca reduzir os impactos causados pela volatilização dos produtos, garantindo maior eficiência no controle de pragas e doenças.
Perspectivas para a Safra Gaúcha
Embora algumas regiões mantenham boas perspectivas, o balanço geral da safra de soja no Rio Grande do Sul segue comprometido pela estiagem. O contraste entre áreas beneficiadas por chuvas regulares e aquelas castigadas pela seca evidencia a importância de estratégias de adaptação climática e práticas agrícolas sustentáveis para mitigar os impactos de eventos climáticos extremos.