Sistemas de IA continuam crescendo, apesar dos altos custos e desafios legais

O Google diz que os reguladores estão muito preocupados com o risco.

Fonte: CenárioMT

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Os avanços na inteligência artificial seguem a todo vapor, mesmo com os custos elevados e os desafios financeiros. Em meio a essa expansão, o governo dos EUA, sob a administração de Donald Trump, solicitou um Plano Nacional de Ação para IA, buscando direcionar o setor crescente no país. A OpenAI aproveitou essa oportunidade para levantar críticas sobre como as leis de direitos autorais podem prejudicar o desenvolvimento da tecnologia. O Google, por sua vez, também apresentou sua visão política, alinhando-se à OpenAI na questão dos direitos autorais, mas indo além ao pedir que o governo apoie a IA com investimentos e mudanças regulatórias.

Google e OpenAI enfrentam desafios com direitos autorais

Assim como a OpenAI, o Google foi alvo de acusações por supostamente utilizar conteúdos protegidos por direitos autorais em seus modelos de IA. No entanto, os detentores desses conteúdos estão reagindo. A empresa enfrenta diversos processos judiciais, enquanto a ação movida pelo New York Times contra a OpenAI pode criar um precedente jurídico, responsabilizando desenvolvedores de IA pelo uso indevido de dados protegidos. O Google busca evitar essa situação e propõe “regras equilibradas de direitos autorais”, embora sua interpretação de equilíbrio pareça favorecer os interesses da própria indústria.

O desafio da disponibilidade de dados para IA

Um dos principais obstáculos para o desenvolvimento da IA é a escassez de dados de treinamento. O Google argumenta que o acesso a dados públicos – mesmo aqueles protegidos por direitos autorais – é essencial para aprimorar seus modelos generativos. A empresa defende que esse uso não prejudicaria significativamente os proprietários dos direitos. Além disso, o Google se posiciona contra “negociações imprevisíveis e demoradas” para obter permissão, destacando a necessidade de um acesso mais simplificado.

O impacto da IA na infraestrutura energética

Outro ponto levantado pelo Google é a necessidade de modernizar a infraestrutura energética dos EUA para sustentar o crescimento da IA. A empresa estima que a demanda global por energia em data centers aumentará em 40 gigawatts entre 2024 e 2026. O Google argumenta que o atual sistema de licenciamento e fornecimento de energia não é suficiente para atender às necessidades da indústria de IA e sugere que o governo federal invista nesse setor para garantir a continuidade dos avanços tecnológicos.

O governo deve liderar pelo exemplo?

Para o Google, o apoio governamental à IA deve ir além do financiamento e incluir a adoção dessas ferramentas na esfera federal. A empresa recomenda que o governo implemente sistemas de IA interoperáveis e de múltiplos fornecedores, disponibilize conjuntos de dados para treinamento comercial e fomente a pesquisa com parcerias público-privadas. Também sugere o lançamento de competições e prêmios para incentivar a inovação no setor.

Regulamentação da IA: a posição do Google

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O documento do Google expressa preocupação com a abordagem regulatória dos EUA. “Por muito tempo, as políticas de IA focaram desproporcionalmente nos riscos”, afirma a empresa. Ela defende que o país invista não apenas financeiramente, mas também por meio de uma legislação favorável às empresas de IA. O Google se junta a outras gigantes do setor ao criticar a complexidade de leis estaduais fragmentadas, citando o projeto de lei SB-1047, vetado na Califórnia, como um exemplo de regulamento que poderia impor barreiras significativas ao desenvolvimento da tecnologia.

Quem deve ser responsabilizado pelo uso da IA?

O Google argumenta que uma estrutura nacional para IA deve incentivar a inovação, sem penalizar injustamente os desenvolvedores pelos usos indevidos de seus modelos. Assim como o lobby de armas, a empresa rejeita a ideia de responsabilizar os criadores de IA pelas ações de terceiros. Como os modelos generativos não são determinísticos, a empresa enfatiza que não é possível prever completamente sua saída. Dessa forma, defende que a responsabilidade seja claramente distribuída entre desenvolvedores, implantadores e usuários, mas parece preferir que o ônus maior recaia sobre os dois últimos.

Regulações globais e segredos comerciais

A regulamentação da IA não se limita aos EUA. A União Europeia, por exemplo, propôs a Lei de IA, que exigiria transparência sobre os dados usados no treinamento dos modelos e a divulgação de possíveis riscos. O Google se opõe a essa abordagem, alegando que a obrigatoriedade de revelação poderia expor segredos comerciais e facilitar a cópia de sua tecnologia por concorrentes estrangeiros – uma preocupação também expressa pela OpenAI.

O papel dos EUA na regulamentação internacional

Para evitar regulamentações rigorosas, o Google quer que o governo americano adote uma postura ativa no cenário diplomático. A empresa defende que os EUA promovam normas internacionais mais flexíveis, alinhadas aos interesses do setor de IA. Isso garantiria que empresas como o Google possam lançar seus produtos globalmente sem enfrentar regulações excessivamente restritivas.

Em outras palavras, o Google sugere que a abordagem ideal para a regulamentação da IA seja moldada pelos valores e interesses americanos – ou, mais precisamente, pelos interesses do próprio Google.

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