O terceiro trimestre foi especialmente crítico, com um déficit de R$ 785 milhões, superando o prejuízo de R$ 89 milhões no mesmo período do ano anterior.
Esse desempenho coloca a estatal diante de um de seus períodos financeiros mais desafiadores, superando até mesmo o recorde negativo de R$ 2,1 bilhões de 2015.
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A principal causa desse cenário é atribuída à “taxa das blusinhas”, implementada pela Lei 14.902/2024, que entrou em vigor em agosto. A legislação eliminou a isenção para compras internacionais abaixo de US$ 50, impondo um imposto de 20% sobre essas transações. Essa mudança teve impacto direto no volume de remessas internacionais, reduzindo o faturamento dos Correios nesse segmento em R$ 200 milhões apenas no terceiro trimestre de 2024.
O impacto da “taxa das blusinhas” nos resultados financeiros

Antes da aplicação da nova lei, o programa Remessa Conforme permitia que compras de até US$ 50 fossem tributadas apenas pelo ICMS.
A introdução do imposto de importação desencorajou consumidores, causando uma queda no faturamento das postagens internacionais de R$ 3,3 bilhões nos primeiros nove meses de 2023 para R$ 3,1 bilhões em 2024.
A situação levou os Correios a revisarem sua previsão de receita para o ano. Inicialmente projetada em R$ 22,7 bilhões, a estimativa foi reduzida para R$ 20,1 bilhões, com um déficit anual esperado de R$ 1,7 bilhão.
A estatal, que já vinha enfrentando desafios operacionais e de modernização, agora lida com questões estruturais ainda mais profundas.
Medidas para reequilibrar as finanças
Diante da crise, os Correios anunciaram uma série de medidas de contenção para reduzir custos operacionais e preservar a sustentabilidade da empresa:
- Suspensão de contratações temporárias: Contratações extras foram congeladas por 120 dias, afetando períodos de maior demanda, como o final de ano.
- Renegociação de contratos: Todos os contratos vigentes estão sendo revisados, com a meta de reduzir pelo menos 10% dos valores contratados.
- Revisão de contratos futuros: A prorrogação de acordos só será aprovada se gerar economia significativa.
Apesar das medidas, o cenário ainda exige atenção. O aviso de risco de insolvência emitido pela estatal reforça a necessidade de reavaliações estratégicas para garantir a viabilidade a longo prazo.